segunda-feira, 20 de setembro de 2010

47.


Entrego-me poucas vezes a alguém, é certo. As vezes que o faço valhem-me por todas as que deixei escapar. De corpo e alma dou-me embrulhada num papel maleável. Uma parte de mim foge-me. Fica com a gente a quem me entreguei. E fica para sempre. Porque todas as vezes que me dou, dou-me para toda a vida. Nunca me é devolvido nenhum pedaço. Não. Jamais. E por isso assusta-me a entrega. Assusta-me imenso. Assusta-me perceber que um dia destes retiram-me o coração por completo. Ficam-me com ele sem que sequer me aperceba. Isto claro, se caso o meu ser possuir esse músculo.
Mas, no final de contas, não tenho culpa alguma de me encantar na totalidade com alguns seres. Não tenho mesmo. Sabem-me os pontos fracos mesmo antes de me saberem. E é isso que me derrete.
Não me interpretem mal. Não quero tudo para mim. Não é egoísmo isto que sinto. É medo de me perder. De me perder para os outros. E os outros podem ser muito cruéis. Ó se podem! De tal forma que quando dou de mim a alguém até me estilhaçam pedaços de alma.

5 comentários:

Tiago disse...

gostei, gostei mesmo. Adoro a tua multifuncionalidade, fazes textos fantásticos, diálogos fantásticos e tens um jeito tremendo para as frases curtas que deixam a pensar longo

- Jezebel disse...

não podia concordar mais contigo, Maria :)

Marisa disse...

Amo a forma de te entregares poucas vezes a alguém. Pois assim, entregas-te mais a mim. Ou talvez não. E não é egoísmo, não de todo. É apenas um sentimento forte, muito forte.

Marisa disse...

É muito bom ouvir isso, é um orgulho. E claro está, que te digo o mesmo, tu sabes (:

Marta disse...

Eu é que agradeço :) ..Também já estou a seguir :)
Tens aqui um espaço,muito muito bom!
Adoro a maneira como usas as palavras,como as colocas, e dizes tudo, o que tem de ser dito!
Tens uma mente genial, sem exageros!