segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

102.



A sua mente desfia-se por entre antíteses - que nem eu sei perceber - mas sempre me agradaram. Estilhaçasse por entre relações inversas - ele arranhado de mim - em forma de "w". Ou, por outro lado, em jeito de "m" - eu cuspida do seu deleito. Não lhe lambi as hipóteses - não por não querer, mas por pouco me apetecer - isto é, deixei pendente a interpretação da sua tez - só levemente trincada - intacta. 
Sei-lhe o funcionamento cerebral mas sem nunca o entender. Uma coisa é certa: atravessa-se por entre bem quereres e maus amantes, como quem diz: partículas queimadas umas nas outras; remotamente suas e da sociedade. Não vou dizer que o compreendo porque não é de todo verdade: mentira. E não me atrevo a cobrir-lhe a pele suada com pedaços irreais de vidas. Não a ele - o de mente de ideias opostas cravadas. E, no final da pouca sede de sangue e fluídos que nos une, hei-de colocar as mãos na cabeça e dizer-lhe tudo isto. Cuspirei docemente as palavras, com uma mão afagando-lhe os cabelos e outra provocando o punhal. O punhal sentimental de toque suave - que eu tão bem conheço - capaz de o desalmar. Porque a verdade é esta e tão somente esta: não o sei perceber, nem pretendo.

3 comentários:

Patrícia Costa disse...

Está fantastico. Eu mesma, fico encantada com isto. Parece tão complexo mas tão real. Tão verdade. Tão Maria, sem dúvida!

Beatriz Araújo disse...

juro que amo, Maria :)

luisinha disse...

a maior parte das coisas que não percebemos é exactamente porque não o pretendemos. rendida, querida m-e