terça-feira, 22 de outubro de 2013

226.


Instala-se a madrugada no aparelho respiratório.
Agora a noite respira pelo nariz
do poema.

A inconformidade bombardeia lugares
nunca antes calcados.
É um animal de olhos furiosos por tudo
o que é mundo e não viram.

Qualquer coisa de absurdo e doloroso -
escaravelhos.

A minha dor é a dor dos continentes.
A minha dor é a dor das terras que,
na obrigatoriedade do movimento tectónico das placas,
se lascam como
dois corações
                      na solidão.

Exangues mãos, improrrogáveis mãos, simples mãos
carregadas de ressalto elástico
e outras insónias.

Qualquer coisa de absurdo e infame:
É longe o que nos faz perto.

2 comentários:

Lipincot Surley disse...

Maria, já não vinha ler-te há tanto tempo. Que saudades eu tive de ti. Que saudades de te ler. Andei ocupado com vários aparelhos (que não só respiratório) e em breve voltarei para te ler na íntegra. Ainda bem que ainda aqui estás!
beijinho

LS

João Alpoim disse...

gostei do nosso bocado.