quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

96.


Ando de alma pesada. Muito pesada. Ando assim. De coração nas mãos. Enrolado em si mesmo. De frieza em forma de espinhos. Papel de veludo embrulhado em músculo de palpitações. E Deus não presta. Todos os sabem. Somos só partículas. Nada dizemos. E pesamos. Pesamos uns aos outros. Aqui e ali. E Deus não presta. Cânticos são só isso. Cânticos. Nem boa música é. São só orações cuspidas. Envolvidas em sons. Feios. Muito feios, por sinal. Pouco me interessa. Medo. Muito medo. Temos muito medo. Do nada. Do nada principalmente. Adoramos ter medo do nada. Daquilo que nem vemos. E é por isso mesmo. Por nada ver que medo sentimos. E a alma pesa-me. Ando-me a apaixonar, de alma pesada. Por algo que nem sei bem. Mas ando-me a apaixonar. E pouco sei. Pouco sabia. Ódio. Sinto ódio. Tanto ódio à minha volta. E vivo assim. Entre o ódio e o amor. Entre o ódio de uns e o amor de outros. Aqui e ali. E Deus continua a não prestar. O medo continua entre as gentes. A mim a alma continua a pesar-me. E a paixão continua na porta. Gosto. Não gosto. Volto a gostar.

5 comentários:

rita disse...

também eu me sinto assim Maria, também eu.

Marisa disse...

está mesmo muito bom, muito bom*

inês alves disse...

a vida tem destas coisas, um misto de vastas confusões que estão presentes nas nossas rotinas.
és grande de alma e claramente de coração,adoro*

inês alves disse...

não penses assim princesa, não vale mesmo a pena.temos que pensar que somos sempre grandes,mesmo quando parecemos anões,temos que pensar sempre mais alto que os nossos objectivos,sempre!
obrigada,muito obrigada* continua assim,continuamente grande:)

luisinha disse...

os teus textos são de arrepiar.
como certos perfumes que sentimos necessidade de absorver o aroma até ao fim.
sabes, olhos de mel, liberta esse coração tão puro e tão doce, e não deixes esses olhos apaixonantes chorarem de ódio á tua vida.
maria-estrela, nunca te esqueças que és grande.