terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

105.


Ela dizia-lhe ser ele em todas as cartas que lhe escrevia. De todas as vezes que o dizia a alma crescia-lhe -conseguiria vê-lo a milhas de distância - e os rasgões de alma atenuavam-se. Até ao dia em que deixou de assinar "de mim, que sou tu". E eu nunca soube bem porquê. Talvez por nem sempre ser dele, e, por todas essas vezes achou melhor deixar de se denominar como tal. Eu conhecia-a que nem palma das mãos e sabia o quanto detestava chamar nomes errados às coisas - barrar hipérboles em sentimentos. E o que é facto é que ela não era ele. Não sempre, não a toda a hora. Nem ele era sempre ela. Nem eles eram sempre um o outro. Eram-no em pequenas doses, que nem borboletas na barriga. E eram almas coladas - só quando mais ninguém os estava a olhar.

13 comentários:

sara disse...

este deve ser um dos meus textos preferidos, vindos de ti. adorei

luisinha disse...

(certo é que levam sempre a melhor... engraçado como da boca deles passamos de bestiais a bestas.)
sabes, é sempre emocionante vir aqui. é um blog pesado, com textos que nos tocam. e este, particularmente, fez-me olhar para mim: que nada tenho a ver com o meu amor, mas que chato seria se tivesse. não era? minha querida maria estrela

nés, disse...

e quando eu acho que a blogosfera tem perdido gosto e qualidade, lembro-me de vir aqui.

nés, disse...

e isso deixa-me mesmo muito feliz. aliás, é o sonho de qualquer pseudo-escritora: perturbar.

luisinha disse...

e olha que está lindo. perfeito. próprio. autêntico. muito teu. ohhh :) é por isso que gosto do amor. só do amor - não daqueles dias negros que nos fazem chorar (mas que fazem falta, ouvi dizer!). o amor é isso mesmo, une toda a gente. mas hoje em dia, está cada vez mais a cair em desuso. as pessoas usam e abusam. lá está: para sempre um empreendimento das palavras mal medido.

Marisa disse...

digo-te que tu és eu. e eu sou tu. sempre. e digo-te também que me perdo em cada desabafo teu. dejam eles doces ou rudes.

filipa disse...

vir aqui ler isto tudo é do melhor que há sem sombra de duvida !

ivone silva. disse...

que lindo, mesmo!

filipa disse...

São a mais pura verdade o que disse sobre este espaço. E quanto a ele, não pode passar de ser especial, tem de ser somente isso .

Patrícia Costa disse...

posso-te dizer que nunca senti nada assim? posso-te dizer que és uma grande Mulher? Um grande instinto e um grande jogo de palavras?
Adorei. Sempre adorarei!

Nádia disse...

ADORO sempre tudo o que escreves! Estive longe algum tempo. O tempo para sarar. Mas voltei. Como disseste, as pessoas voltam sempre. Mas achamos que não. Achamos que vamos morrer naquele canto, sozinhas. Que não podemos viver sem aquilo. Mas podemos. Eu estou aqui! :)

http://poppywhispersno.blogspot.com/

luisinha disse...

tal e qual tuas palavras maria. faço minhas, as tua palavras. o amor era o banco da praça... ao fim da tarde de domingo a domingo. era as mãos dadas e os beijos sem ninguém notar. o amor de hoje não é amor. e a mim, que mais do amor sou, entristece-me tanto.

luisinha disse...

sabias que, quando me sorris, me sinto em casa?