segunda-feira, 21 de março de 2011

114.


Não passamos de percepções sentimentais mal medidas - disse-lhe ela - e assustava-me, sabes? Assustava-me a intensidade com que, de certa forma, tudo conspirava para que eu e tu continuássemos envolvidos na cilada de amor. É como se, por momentos, nos tivéssemos transformado em marionetas de um sentimento mentiroso. E a verdade é que pouco mais que isso éramos, não é? Sabia-te de cor, e tu a mim. Mas isso não é o amor, pois não? E o que nutríamos um pelo outro era mera comodidade. Tão somente comodidade. Que nem gatinho para dar- óptimo de ver, de tocar até, mas que, no fim, toda a gente sabe que vai permanecer ali - enjaulado detrás da vitrina marcada de dedos e mãos.  E foi exactamente isso que nós fomos - disse-lhe ele - coisas feias a parecerem bonitas.

15 comentários:

Katherine Ashley disse...

simply perfect *

Vânia disse...

Para mim , chegas quase ao limite de espanto , quase páras no medo. Medo que sinto ao ler estes ventos por me ver tão reflectida neles . Quase tenho medo, por acertares nos pontos mais submersos iguaizinhos aos meus . Sempre que publicas alguma coisa nova corro aqui para me conheçer mais um bocadinho . No fundo és uma grande estudiosa da espécie, não és ? Despertas os sentidos que qualquer um , és tão preciosa!
Eu estou em Viana , não mudou muito e continuo ansiosa á espera que venhas para Viana ;)

D. disse...

amei :O

luisinha disse...

finalmente. outra vez em casa, essa tua casa que é o teu sorriso. que me embrulha como um rebuçado e me faz mesmo sentir pequeninha. no bom sentido. sempre no bom sentido, vindo de ti. e oh :) relíquia. «assustava-me a intensidade com que, de certa forma, tudo conspirava para que eu e tu continuássemos envolvidos» é só lindo. e lindo e coisas sem fim desse género. assim tu, maria maria. e sim, a música... acho que é por ser cantada assim. ao de leve nos corações

nés, disse...

entendi este texto bem demais.
e muito obrigada x)

joana disse...

ainda bem maria* é isso mesmo que eu quero que aconteça :)

Vânia disse...

Sei ! És como eu . Quase era capaz de arriscar e apostar aqui que quando andas na rua estudas ''a tal espécie'', não estudas ? Eu faço muito isso, entro na cabela das pessoas, imagino o que supostamente imaginam e comparo, comparo comigo e com os que conheço. Ás vezes até me rio sozinha na rua! Outras apetece-me bombear o planeta sem salvar nada. Acho que é aí mesmo que está a piada, na dúvida. Desafia-nos, ou pelo menos a mim desafia. Não ter o tal caminho seguro , arriscar! Juro que me atrai muito. Descbrir pessoas. Gosto muito !
Medo ? Não tens que ter medo, provavelmente nós próprios somos o maior motivo para uma justa origem de medo e vivemos agarrados a nós a vida toda, os restos são o menos !
E sim Maria! És enorme , juro que sim *

Liliana Fernandes disse...

Mas isso não é o amor, pois não? E o que nutríamos um pelo outro era mera comodidade. Tão somente comodidade.


Agradável comodidade.

D. disse...

Oh que querida obrigada :D beijinhos :D

Vânia disse...

Somo nós em bruto portanto, no puro. Também falo muito sobre isso, o nosso autêntico sem intervenções .E eu, eu só gosto do autêntico.Ou posso dizer nós, nem preciso de me explicar, pois não ? Sabes o que me dá um gozo terrível ? Assustar as pessoas na rua- envolver-lhes a cor dos olhos sujos e mistura-la na minha, chupar-lhe toda a informação possível, supostamente. Eu sei que se assustam, sei porque já conheço, conheço bem as passadas do medo, esse vagabundo. Com cara séria, normal até, assusta-os. Viro costas e rio-me como criançinha, sabe tão bem passar por louca de vez em quando!
Pois, sempre desconfiei que cuidasses. Mas com uma beleza dessas quem é que se atreveria a cravar-te espinhos no peito?
O poder aqui pertençe-te. Acreditas que quase já sei a letra da musica do teu blog de cor? É das paginas que mais visito, não calculas o quanto falo destes teus tesouros! Adoro-os tanto

Joana disse...

começo mesmo a achar que sim. é por isso que estou sempre "desligada" nas aulas, com professores assim.

Patrícia Costa disse...

Eu aqui mato as saudades que sinto tuas! Sem dúvida. Isto és tu! Esta tua forma de exprimir.

Maria Sirgado Ruas disse...

Sublimes são sempre as tuas palavras. Eternamente fundas, penetrando directamente no cerne da nossa mente, dos nossos mais íntimos pensamentos. E a tua inteira autenticidade é arrepiante. Transformas conceitos abstratos em imagens mentalmente visíveis: visualizas o irreal mas transmites a mais pura realidade. Sempre soberba Maria.

luisinha disse...

se há amor em estado solido chama-se maria

Ana Dória disse...

Gostei. E gostei mesmo muito.


A.D