terça-feira, 12 de abril de 2011

120.



Disse-lhe ser impossível entender sentimentos. E a verdade é que são mesmo. Por vezes, nem mesmo as coisas imutáveis e palpáveis são compreendidas, como queria ela fazer entender algo gasoso e efémero? É como desejar o dia durante a noite e a noite durante o dia: algo que por mais que queiramos, nunca real se irá tornar. E eu dizia-lho, sabes? E de todas as vezes que lhe tentava explicar o quão perdida ela se tornava sempre que de sentimentos falava, acabava por a estilhaçar um bocadinho. Acabava por lhe roubar um sonho e por lhe amolgar a alma rosada que tão bem a definia. Porque ela era assim: quando acreditava em algo dava-se por completo. Repleta de sentimentos fluidos e movimentos de apatia incrivelmente belos. Sonhava muito. Sonhava tanto - de músculos contraídos e mente a milhas de distância. Nunca conheci ninguém como ela. E até hoje arrependo-me por todas as bofetadas de realidade que lhe dei.

5 comentários:

Mafalda disse...

Aodrei o teu blog, vou seguir*

ivone silva. disse...

ai adoro!

luisinha disse...

nem sei pelo que me apaixonar, se pela foto, pelo texto ou pela música. ou por ti! fica sabendo que foste a única pessoa a quem respondi. eu queria deixar o blogue, não acredito que me deixo cair assim e a que a minha vida acaba escrita num blogue exposto assim... não, não quero. é por isso que desapareci

luisinha disse...

é um risco alto. mas é tão bom saber que há quem se reveja no que escrevo. pediram-me para ficar, e na verdade não me sei ir embora. terrivelmente doce. maria estrela

opistia disse...

primeiro lê-se insatisfação... depois o poder da entrega (sim, porque nem todos conseguem amar ou entregar-se por completo a alguém por amor ou com amor, como preferires) e por fim, novamente a insatisfação da realidade no seu todo. o sonho completa-nos.
estou a adorar os pensamentos que tenho lido :)