segunda-feira, 30 de maio de 2011

130.


Afagas borrões, que são os pensamentos quando dissipados na multidão, sem te aperceberes. Dizes que gostas de alguém com os olhos, sem que nunca o chegues a saber. És movimentos efémeros e alter-egos em noites quentes e cheias de pouco. Caminham-te - tantas vezes - nas expressões desencantos, sem que nunca tenhas tempo de os ver. E és amor quando só azedo de ti sabem, és espaço quebradiço no peito de alguém que não te chegou a conhecer. No fundo, és que nem uma nódoa que nunca ninguém manchou, uma tela branca arrumada num canto com pó e saudades. És saudades - és montanhas de saudades - saudades do cheiro do mar e dos fins-de-tarde com um livro na mão - folheando as páginas e tentando encontrar amores que se perderam há muito tempo atrás. E se me perguntarem por ti - confesso-te - direi que nunca cheguei a saber-te. Porque na verdade, na verdade és pouco mais que ventos que não consegui tocar, sons que não soube entender e percepções de tempo que mal medi. No fundo, no fundo Clem, fomos desconhecidos que viveram amores que não eram de ninguém.
With love,
Peter

15 comentários:

Vânia disse...

mais uma vez , está maravilhoso !

ines disse...

blog forte, muito forte

nés, disse...

estás a brincar? tu és feita de amor pesado, devem existir várias pessoas a partilhar da minha opinião. se calhar não te falam com tanta intensidade, mas sentem-te assim.

Maria Filipa disse...

"No fundo, no fundo Clem, fomos desconhecidos que viveram amores que não eram de ninguém."
uma maravilha Maria *

Maria disse...

depois de um texto destes, nem há palavras que se possam dizer

Mafalda disse...

Está divinal, divinal Maria*

Maria disse...

e penso que é vergonhoso ver que depois de todas as atitudes reprováveis que muita gente tem, consegue culpar pela mínima coisa a politica

Emmeline disse...

posso dizer-te que és sublime?

ivone silva. disse...

gosto tanto!

ad disse...

está tão bonito, perco-me nisto

Emmeline disse...

e digo-te ainda mais: que acabar o secundário parece triste se pensar que não volto a ter terças-feiras de perfeitos sorrisos.. assim.. não sei explicar. tu sabes?

ana moura disse...

maria, és sábia!

Emmeline disse...

querer de querer deixar tudo, sinceramente não quero muito. mas como tem de ser, será braga.. e já assim me parece tão grande, espero só que o meu coração não parta durante as viagens, sabes?

Lipincot Surley disse...

:) grande! se bem que acho que se há coisas que acho que não existem são telas em branco.. Mas a visão romântica apaga os possíveis rasgões das telas "esquecidas" pelos cantos..

Ana Dória disse...

Genial, minha querida, genial!
Dá-me palavras para te aplaudir, por favor, pois a minhas sumiram-se.

Um beijinho directamente à alma*