sexta-feira, 11 de novembro de 2011

151.



- Quando o tempo era quimera e o quarto cheirava sempre a amor, eu ia gostando de ti.
- Dei-me conta que a tua alma não é mais almofada que me ampara as quedas. Acho que foi pelo mofo destas paredes, pelo constante derrame de outros perfumes que não o nosso. Que se passou contigo, orquídea?
- Cometi um erro: olhei-me no espelho e vi-me então rendida à irremediável conclusão de que todos os amores que amara, amara-os por engano.

4 comentários:

ines disse...

Maria, como tu és enorme, um gigante da escrita.
Amar por engano, será que se consegue mesmo? Isto é, quando se ama é a sério, ou então não se ama, não é? Orquídea, tão alma confusa.

annie disse...

uau, adorei.

ines disse...

Sabemos sempre mais do que julgamos, e tu sabes tão mais

Lipincot Surley disse...

O problema é culpar as paredes e infindáveis perfumes quando o problema pode estar de facto no engano.

Vim especificamente ler-te e deparei-me com isto. Que inspiração :)

Palmas*