domingo, 30 de setembro de 2012

193.


Lá longe moram esses tempos
em que os arranhões pernoitavam em mim
e assim me sempre habitaram, 
adormecidos, 
sem não mais partirem. 
Também tu te foste embora, 
sem partir. 
Aqui dentro ficou a distância 
da tua voz, 
a distância que sempre morava 
na tua voz.
Lá fora apenas o barco
que passou em teu naufrágio
me levando.

15 comentários:

efeito placebo disse...

Aqueces-me tanto, desvias tantas gripes e mal-estares, o tanto que te estimo, o inteligente que mostras, o linda que nunca desminto, o travo a relíquia que sempre foste, o tento doce que jamais esqueço.

F. D. P. Carvalho disse...

Deixa-me responder-te na mesma moeda.

“Caminhou para o interior pelos caminhos dos prados através da solidão e em breve o bosque de faias o acolheu, estendendo-se ondulante até ao longe. Sentava-se no musgo, encostado a uma árvore, de maneira a poder avistar, por entre os ramos, um farrapo de mar. Às vezes o vento trazia até ele o barulho da ressaca, que soava como se, ao longe, tábuas caíssem umas sobre outras. Gritos de gralhas sobre os cumes das árvores, roucos, solitários, perdidos... Tinha um livro sobre os joelhos, mas não lia uma única linha. Saboreava um profundo esquecimento, uma suspensão redentora sobre espaço e tempo e só por vezes se sentia como se o seu coração fosse atravessado por uma dor, um curto e agudo sentimento de saudade ou arrependimento; mas estava demasiado indolente e ensismado para se interrogar sobre o nome ou origem de tal sensação.”

Maria, posso fazer alguma coisa para te ajudar?

F. D. P. Carvalho disse...

A mulher que escreve com o teu nome.

F. D. P. Carvalho disse...

o que andas a ler agora?

F. D. P. Carvalho disse...

"Porque tremem as luzes?"

F. D. P. Carvalho disse...

És de que signo?

F. D. P. Carvalho disse...

Matarias por amor?

F. D. P. Carvalho disse...

Por amor... matarei o amor próprio.

F. D. P. Carvalho disse...

Da maneira que o tratamos hoje em dia, não acredito que o amor tenha muito sangue para derramar. A história da humanidade é uma sangria do amor.

F. D. P. Carvalho disse...

Não confundas sangue com água tingida de vermelho. Sabes, perguntas dessas ferem o interior... mas segredado só entre nós: sangro por falta de poesia, daquela que não se escreve.

F. D. P. Carvalho disse...

Será mesmo essa poesia dos lugares comuns que desejamos? Ou será que o fervor poético que depositamos no mundo é apenas uma tentativa desesperada de fugir do que nos imobiliza? Da beleza que hipnotiza e do amor amedontra...

F. D. P. Carvalho disse...

Alguma vez a tua admirável sabedoria te falhou? Se sim, admites que te deu prazer descobrir que estavas errada?

F. D. P. Carvalho disse...

muito perto ou muito longe nunca é demais?

F. D. P. Carvalho disse...

O espelho é um amigo ou um inimigo?

F. D. P. Carvalho disse...

A este alguém diria: Fui um palerma, não fui? Mas tu não fizeste melhor figura.