sexta-feira, 15 de julho de 2011

137.


Às vezes lembro-me dos pássaros de alma e dos vales no peito e dos amores tomados em chávenas de chá. Às vezes lembro-me de ser mais com menos e a seguir esqueço-me sempre de como é sentir calor quando está frio. Nessas alturas tudo me escorrega dos dedos, tudo me foge - lentamente - como uma pétala de uma flor, dançando com o vento em segundos intermináveis, de amor efémero e de apatias profundas, até que finalmente alcança o chão. Temo que seja eu  quem não se deixa apanhar. Que seja eu quem foge das caixas de bailarina e dos abraços que mais parecem mergulhos no mar. Que seja eu quem não se deixa cuidar por muito tempo. É que tenho tanto medo de descobrir que o amanhecer só faz sentido por tua causa.
E talvez seja isso mesmo. Talvez seja mesmo impossível ter o mundo e um grande amor lado a lado, de mãos dadas. Talvez seja apenas um fardo demasiado, esse de cuidar de nós e de outro em simultâneo. Culpa de quem? De Deus, que nos deu um só coração e tanto para sentir.

11 comentários:

opistia disse...

é que toca mesmo... vi janelas de uma casa de praia de madeira, pintada de branco... tinha velha, já descascada... cortinas azuis esvoaçantes e o mar :) é da jarra com malmequeres pousada na escrivaninha que se solta a pétala... que se desfolha o tempo da pétala que cai...

ad disse...

oh darling, se só com um coração encontramos-nos nesse estado, queríamos dois para que? a não ser que servisse como um de substituição..

nés, disse...

sempre soberbo maria.

Lipincot Surley disse...

Se calhar há uma tendência a pensar que somos nós que não temos aderência suficiente e que tudo o que é de bom e que se junta a nós, depressa nos larga.
brilhante Maria - mesmo com a música de fundo :)
adoro os teus textos. qualquer dia requisito as tuas preferências e referências para saber de onde vem toda essa visão! beijinhos

Livre Pra Poder Buscar o Meu Lugar ao Sol disse...

uma obra de arte admirável e viciante, capaz de prender atenção e relaxar a leitura com uma melodia tranquilizante perdi a noção de tempo e espaço lendo e me encontrando através das palavras das frases e letras, absolutamente incrivel

ti em mim disse...

ou nossa, que não o fizemos crescer o suficiente (:

adorei :D

Bruno Carvalho disse...

Lamento mas a culpa é tua. Nada nesta vida vem facilmente, tudo é uma carga de trabalhos e responsabilidade mas com o tempo tudo se integra na nossa vida e quando te dás conta já tens isso e não te incomoda. Qualquer pessoa que te tenha na vida tem sorte, especialmente de ler o que sentes ;)

Bruno Carvalho disse...

Minha? Injúrias ao meu bom nome! E se um bocadinho de ti ficou agarrado àquela frase é porque é só mais um bocadinho do bom que te constitui :)

ti em mim disse...

muito mesmo!
mas sabes? o melhor é não as atribuirmos a ninguém... afinal, o mal está feito!

obrigado (:

Emmeline disse...

é sempre com um bocadinho de saudades que venho cá. e é sempre como se algo me dissesse para te visitar aqui. nem que seja só para dizer que és sublime,singular e que quem te descobrir ou quando quiseres ser descoberta, e não como algo que se vê pela superfície, mas sim algo profundo, tão bom de ser encontrar, uma relíquia que faz as maus tremer com medo de perder tanto ouro... nesse dia acredito sonhar contigo vendo te sorrir de alívio por descobrires que o amanhecer nasce por um motivo que te é capaz de deixar dia pra dia mais viva,muito mais viva. sem medos maria, sem resguardos, sem incertezas: és linda de coração e isso contam me as tuas palavras quando venho cá

Maria Sirgado Ruas disse...

Na minha modesta opinião, defendo que o caos somos mesmo nós, no nosso fundo psíquico emocional, pois se repararmos ao mais fundo detalhe a vida nem é difícil, cada ser humano é que a complica à sua maneira e, com isto transforma outras vidas, cria outros caos, não só à sua própria pessoa mas também consequentemente aos restantes seres do mundo. Obrigada Maria, és sempre sincera e muito querida.