segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

156.


Falta-nos a valsa dos sonhos, agora guardados numa chávena de chá. As pontas de pés sobre terrenos dos quais não somos donos- que nos regozijam sempre - morrem-nos ao fim de alguns segundos e aí, aí damo-nos conta da carência de laços, dos limites rasgados e do amor que ninguém tomou conta. Percebemos que o torpor é de uma leveza pesada, acarretando milhares de monstros antagónicos e perdidos na inevitável ardência do ser...O ser! Ohh o ser! Erguem-se então enormes paredes que nos delimitam as travessias. Caem-nos as pontes emocionais, que outrora serviam de elo aos amores de fim-de-tarde e deixamo-nos assim, mortos em nós, presos às nossas próprias vísceras, à condolência que é a percepção de um eu envolto em vazio. Restam-nos os cacos. Restam-nos Invernos.
Margaret, 12 de Dezembro de 1984

2 comentários:

inês disse...

Nos Invernos frios nem as paredes gigantes protegem corpos mortos

Emmeline disse...

mais até daquilo que deixamos por dar... sei. eu sei maria estrela.