domingo, 15 de abril de 2012

176.


Não sei romper a maré daquilo que fui e me esqueci. Não sei fugir ao tempo que pareceu estagnar, sempre passando aleijado entre meus dedos. Magoaram-me não as ausências mas os dias que ontem foram demasiado compridos e, por o serem, intragáveis apareceram diante mim, vergando-me. Foi o caos, esse deserto de ti, que me ficou nas articulações, sem nunca o saber contar. Nunca entendi bem como se cede ao temporal depois de ele já ter cessado até começar a sentir com a memória. Há coisas que morrem, nunca deixando de viver e dentro de mim guardo o mar das lágrimas que nunca te chorei.

5 comentários:

Luís Coelho disse...

Um grito no tempo que passa.
Poderia dizer:
- Vencido mas não convencido...

F. D. P. Carvalho disse...

E acabo com as palavras de outro, que faço minhas

"No regaço do tempo o passo oculto
aguarda que do tempo surja o tempo
onde morar repleto o nosso amor

E leio e volto as páginas incertas
as mãos na face o álgio tremor
do coração ferindo e devorando

Confudir-me contigo sem sabermos
onde começas tu onde começo eu:
o abraço do espaço dissolvido

A ti entrego a minha liberdade
o âmago do cântico a real
harmonia do ser a união

Olho o passado escasso esmorecido
a luz timidamente nele havida
iluminou-se do clarão futuro"

António Salvado


Pronto a semana acabou da mesma maneira que começou, inesperada, e como disseste um dia: não foi feliz mas foi bonita. E acho que foi disso que nasceu tudo e sabes, estas coisas do coração demoram tempo, tal como sabes que as palavras-sementes germinam. Ora minha querida, receio que tenham encontrado um terreno fértil em mim e confesso-me culpado por ter tratado, inconsciente, dessas palavras que agora floriram nestes poemas.

Por isso peço-te que estimes o que te escrevi, o que sonhei porque nasceu de ti; nasceu, e não temo em dizê-lo, de algo que só tem um nome: o amor.

F.

F. D. P. Carvalho disse...

Ah e não é bom mas bonito! bom mas bonito... caramba, mas que bela verdade.

F. D. P. Carvalho disse...

Mas como partir quando todos os mares me levam a ti? Como partir quando falas tão perto do meu coração? Como ignorar-te quando a ideia de ti sabe-me a casa, a tardes preguiçosas e a cerejas na boca? Maria, a partida é uma mentira, agora é, sei-o porque és verdadeiramente amor em todas as palavras, já alguém te disse isso? Devia proibir-te de escrever, falar, respirar, talvez dessa maneira encontrasse a calma necessária para me libertar deste romantismo de contornos que me consome os minutos. Ó minha querida como podes alguma vez sentir-te pequena quando és tão grande em mim? E pode parecer exagero mas é sincero! Pois para quê mentir quando um simples suspiro teu me tira o chão onde me penso seguro? Não, não, tu és das que acreditam num mundo melhor, em noites claras e mãos dadas. Considera-me um abandono de mim, tal como as tuas palavras são um abandono de ti, e és perfeita! És extraordinariamente bela! Não tenho dúvidas, não tenhas dúvidas. E acho que fui longe demais. Porque sabias que parece sempre tudo longe quanto maior é desejo de voltar? Escrevo demais mas não me perdi, lamentavelmente não controlo o desejo como tu o fazes em pequenas doses, pequenas gotas, nos teus textos.

No fundo tens-me, no fundo eu dou-me.

F. D. P. Carvalho disse...
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