sábado, 28 de abril de 2012

179.



Percorri todas as manhãs de Janeiro e 
só em Agosto te alcancei, junto do estio, 
de cabelos desalinhados, sem palavras nem voz. 
Descobri-te nas vertigens de mim, perto do chão,
onde a memória se esqueceu do teu nome. 
E dentro de ti moravam todas as chuvas
que naufragaram meu peito e todos os temporais
que nos encharcaram, habitando nossas gargantas.
Cessamos e cada um de nós regressou ao barco 
que outrora largara, por não saber sustentar as marés 
de espírito dentro dos vazios das palmas das mãos.
Não morremos, fomos morrendo, lentamente,
de coração inacabado.

6 comentários:

annie disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Emmeline disse...

Esteja ela onde estiver, a menina algodão tem também saudades tuas.

Lipincot Surley disse...

Essa cronicidade do acabar. Esse arrastar da areia fina a escapar-lhe entre os dedos.

Não tens de pedir desculpa por te apropriares. Sinto o meu pelos teus cadernos. É o conforto, é o ninho acolhedor. É transparência de almas que não pensam, que escrevem. De almas que não choram, que apenas contorcem os dedos e digitam teclas e espezinham canetas.
:)

Sem pensar que alguma me imaginaria, a manter o blog,aprendi que estas purgações de fazem bem. Ler-te faz-me bem. Obrigado M*

F. D. P. Carvalho disse...

adulterando as palavras da annie, é realmente assim que vives "deste lado" porque escreves tão bem que apetece "ter-te" constantemente.

F. D. P. Carvalho disse...

Devo confessar-te aqui o que me faz querer-te como um projecto de vida. Penso que é o momento certo porque a ideia e a emoção fogem-me lentamente em direcção a ti ficando quase nada no meu corpo. É altura para questionar a paixão e a sensação que és tu mulher em mim, alma gigante que cabe de pé no meu coração. A atracção é fatal, dizem, mas ela também é real e por vezes a única bússola capaz de nos orientar neste mundo que pensado não nos leva a bom porto. É aqui que surges inesperada mas sólida na minha vida e nem sequer te posso definir como criação de uma imaginação demasiado fértil porque tu existes de facto, este entendimento que temos é um facto consumado que se construiu no tempo sem qualquer esforço da nossa parte. Foi lá muito atrás que esta fusão de almas começou, num acto de ingenuidade e de desvairo meu que lançou uma semente algures num terreno desconhecido. Mal sabia que essa semente só esperava as condições ideiais para florescer. Passou o inverno, chegou a primavera e fulminante surges natural na minha mente. Onde estavas tu em Novembro e em Fevereiro? Não sei mas Maria era só um nome de mulher ao contrário de hoje que é demasiada sensação para as minhas palavras. És insólita, verdadeiramente insólita e isso é tão maravilhoso. És insolitamente maravilhosa. És a primeira mulher que vejo realmente pura e sem qualquer filtro enganador, vejo a tua verdadeira forma orgulhosamente livre dos preconceitos do amor. É toda essa aura, essa verdade, essa certeza que me atraí irresistivelmente. Digo isto porque é verdade e não sei mentir, da mesma maneira que recuso ignorar o que cresce e faz sentido em mim. E tu fazes todo o sentido, pois não há linguagem mais próxima ao meu coração que a tua, essas palavras mágicas que afagam os contornos da minha mente num estranho jogo de sedução. A cada notícia tua grita cá dentro um “Quero-te” sincero, a cada palavra um “Desejo-te” verdadeiro e em cada poema meu grita um “Vem!” porque há muito que quero explicar e entender este amor que criaste em mim. Insisto num “Quero-te” tosco e sincero para que possa provar-te que isto é mais do que fogo de artíficio. O tempo é teu e curiosamente o espaço também, és dona de o dar e tirar. Tudo isto para te dizer que a poesia perdeu a força e se o sentimento continua as palavras essas já não o reflectem, portanto paro para não te desfigurar. Volto quando te sentir mais perto e menos nublada.

Ana Dória disse...

E aos poucos, vou voltando.
Leio-te e o meu peito rejubila, desolado. Talvez pese a verdade nas tuas palavras, talvez seja por saber que a mais ninguém poderão pertencer.

Há uma inveja, que eu sinto, um pequeno arrepio na coluna.
Aquilo que tu escreves, ouve, mais ninguém escreverá.

E que maravilha é sabê-lo.

*