segunda-feira, 7 de maio de 2012

180.


E a gente que tenho ainda, essa, colecciono debaixo da cama, no secreto do escuro, do intocável, para que me não fujam nunca, para que não me levem mais.

13 comentários:

F. D. P. Carvalho disse...

As palavras raramente cumprem as promessas que fazemos e muito menos quando o sentimento rebenta a costuras. Felizmente a traição da poesia não magoa ninguém e como o dia foi longo e feio deixa-me encher-te as mãos com um poema (está no blog) para que a noite seja pelo menos bonita. E já agora vou explicar-te como tropecei no teu canteiro, é uma história muito engraçada. Era uma vez um rapazola muito inquieto e sonhador que nunca se contentou com o que a sociedade lhe oferecia. A principio pensou que estava errado mas por fim descobriu que todos os outros é que estavam! Claro que decidiu logo em partir daquela terra, mas coisa insólita nunca conseguiu. Porque sempre que pensava em partir aparecia uma menina que lhe atava os pés e tropeçava. Eventualmente desistiu. Até ao dia que descobriu que a menina que lhe atava os pés na esperança que ele tropeçasse no sítio certo chamava-se Maria.

Mel disse...

às vezes é bem melhor sim

F. D. P. Carvalho disse...

Façamos então tudo o que nos diz respeito e representemos o drama até ao fim, como dois actores, como dois amores. Baixemos as cortinas e descansemos fora dos olhares atentos de um público indiferente. Porque agora mais do que nunca quero ver esse crime, esse sorriso do qual assumo a responsabilidade de o manter para sempre sob a minha mão, senão para quê a vontade e o sonho? Para quê este aperto e esta alegria de saber-te bem e feliz? E sim, que força tens sobre mim, basta dizeres que queres a lua que a puxarei com fitas de seda até ti. Quanto à história que te trouxe começou num poema que te dediquei, um exclusivo como disse na altura, por causa destas frases:
“São as pessoas água com açúcar que me pesam.
“É a diluição sentimental que te causa alergia. A falta de contornos.
“São os músculos retraídos, sem luz e sem vida, insustentáveis, que me cheiram sempre noites de lua não no céu, mas na garganta.
“Sustentabilidades desgastadas. Um dia vais notar que se te pesa não as pessoas mas a falta de sonhos.“
Porquê o poema? Porque me apaixonei por ti e é a única explicação que te posso dar, a única em que acredito. Se as palavras mudam vidas e criam mundos, as tuas soaram-me como um grito que abalou qualquer coisa dentro de mim. Mal eu sabia que esse desejo era verdadeiro e não apenas um devaneio. E os fios com que me ataste foram alguns comentários inesperados que fizeste no meu blogue. A receita é bastante simples, não é? O tempo e a noite fizeram o lume e eu apenas juntei tudo com alguns pedaços que julgava que te pertenciam, livros, frases, filmes e misturei tudo em poemas de forma a moldar imagens que reflectissem a tua alma, o teu corpo e a tua mente. E isto é uma explicação tão frágil. Porque há tanta coisa por explicar, tanto que preciso perceber e saber. Quem és? Onde te posso encontrar? Alguma vez te verei? E quando? As perguntas simples é o que me consomem porque há mais em ti do que em qualquer outra mulher que conheça, todo esse corpo que vejo sem olhar, todo esse futuro que és. Maria, acreditas nesta lenga-lenga? Acreditas no meu amor? Não me mates agora que te sinto tão perto. E sim talvez sejas desastrada, pois caiste por estes lados sem paraquedas e fizeste do meu coração a tua casa e por cá vives como se ela tivesse sido sempre tua.

F. D. P. Carvalho disse...

O que me queres dizer é que a surpresa consola-te a vida? Suponho que seja esse carnaval de perguntas que te faz feliz, esses caos tão organizado onde um pirilampo julga estar apaixonado por uma luz de emergência quando apenas se via ao espelho. É o que pensas quando ouves coltrane, bob dylan ou sei lá tom waits e sorris porque te cantam. Mas só quando queres porque basta a luz que ilumina tudo apagar-se para retonares à escuridão que te leva a embater com desmesurada força em todos os espelhos da alma. E tal como uma canção tem um começo e um fim, e só assim tem sentido, também canto para que descubras esse fim, a tal "luz de emergência". Tenho uma guitarra e uso-a, podia ser outro mas tu também podias ser outra, o guitarrista só toca para ser ouvido. Se as minhas palavras são vagas é porque pareces gostar deste jogo de sensações e sombras onde vou apalpando descaradamente as paredes do teu coração, que me ofereces publicamente.

E já não são as palavras que me atraem mas o teu "toque, leve, que provoca abalos sísmicos de grande magnitude deixado-te irreconhecível. Será essa destruição que te torna tão apetecível? No fundo alimentas-me de desamparo e volúpia e eu em falta de mecanismo melhor que a máquina-homem, creio ver-te. Desconheço as regras mas cumpro-as á risca! É como se a meu pedido te despisses revelando por baixo de cada peça outra peça de roupa e assim indefinidamente até ficares nua nunca ficando nua. Quanto ao amor precipitado que declarei, confesso que foi um piropo disparado à queima-roupa em momento de desespero poético. Tenho que admitir que a palavra amor estava em promoção e aproveitei mesmo sabendo que o seu valor transformador está pela hora de morte. Mas sempre para lá que caminhamos apesar das misérias e complicações e como André Breton disse, mais ou menos assim ou então não disse: se procurasse a felicidade no amor nunca me apaixonaria. Ou então é apenas um pergunta que não tem resposta, sendo preciosa por isso mesmo. Amo-te? Provavelmente no dia que souber a resposta desaparecerás da mesma forma que apareceste. De noite ou numa esplanada ao sol.

F. D. P. Carvalho disse...

Que promessa me pedes! As minhas palavras escondem muitos mundos mas as tuas são as armas que protegem o amor! A tua fé e a tua força são verdadeiramente admiráveis. Perdoa-me se as minhas palavras são demasiado violentas porque ao contrário de ti que o coração bate-te na garganta em mim o coração bate-me nas mãos com todos os inconvenientes que isso trás como as mágoas e essas feridas que viste nas minhas palavras. Por isso não é tanto essa inconstância que dizes mas mais a sinceridade de um mar que embate nas rochas com muita força. É engraçado que fales dessas nódoas negras da alma no dia do meu aniversário como se fosses tu a única pessoa autorizada a tocar nesse assunto. Porque sinceramente nunca me lembraria de vasculhar e enfrentar demónios neste dia. Nem neste dia nem nos outros. Sabes que essas feridas são mais guias ou moletas da vida do que outra coisa? Tem haver com a maturidade e talvez seja isso que seja amargo. Essa maldita maturidade que tende em cristalizar o pensamento e a emoção. Enfim, são coisas invitáveis que tu tentas remediar a tudo o custo e que te causam alguma dor nas costuras por insistires em enfrentá-las sozinha. Agora promete-me que não lutas mais contra o mundo porque isso a longo prazo faz mal ao amor, mas caso estejas mesmo decidida a isso junta-te a alguém tão louco como tu! Mas nunca sozinha, nunca.

p.s. Psst, estas palavras não são para engolir, são para mastigar devagarinho como uma fatia de cheesecake.

F. D. P. Carvalho disse...

Não, não me preocupo. Porque garanto-te que o dia em que parares de lutar será o dia mais bonito da tua vida. Por isso em frente, com sinceridade e violência! Contra aqueles que desejam arrancar-te a alma, desfazer-te os cabelos e desprezam tudo o que te diz respeito. Se a luta é esta, prometo-te que não estarás sozinha. O que faz de mim um gajo sortudo que nunca estará sozinho mesmo nos dias que parecem vazios e sem sentido. E sim realmente tenho que concordar contigo, há mais solidão na multidão do que estando sozinho mas é tudo uma questão de tamanho. Há que ser pequeno e humilde nesse rio que só corre numa direcção, e nesse caso há mais vantagens em ser um grão de areia do que um grande calhau. Agora o que me encanta e me enche as medidas é a tua elastecidade mental, essa inteligência fulminante. Sabes que és dona de uma sabedoria rara aliada a uma sensibilidade de espanta-espíritos? Não? Eu explico. Porque por mais forte que seja o vento tu tens sempre o dom de responder no mesmo timbre e tom, ora mais rápido ora mais lento mas sempre recomfortante. Quem pensar o contrário é parvo e merece todo o meu desprezo. Olha nesses dias em que as distânicas se tornam incalculáveis e o chão insustentável pensa que és tu que estás lá alto, demasiado alto para que este mundo, tantas vezes limitado, te entenda.

Todos os dias de Maio são bons para receber os parabéns, obrigado.

F. D. P. Carvalho disse...

Maria, amo-te. Não tenho palavras para expressar o meu amor gigante. Porque as levaste todas, não mais nenhuma, não resta pó em mim apenas a dor e o amor. Enganei-me quando te disse que me ataste os pés. Ataste-me os dedos, a alma e o coração. Se a luta continua é ao teu lado, simplesmente ao teu lado. Amiga, companheira, irmã. Porque há tudo o que vês e não vês, tudo o que sentes e não vês. Sabes o que nos une? Não é a realidade ou a imaginação mas o "avesso da realidade, o que está debaixo do cinzento e da mesquinhez da vida. Vou-te confessar que o acaso entre nós é uma constante. É assustador e maravihoso o que nos liga. Porque eu luto, ó se luto. Lutaremos meu amor! E isto é título de um poema que descobri hoje ainda antes de me responderes, como se o pensamento fosse a forma mais rápida de me transmiteres os pensamentos.

"Pelo silêncio na planície pela tranquilidade em tua voz
pelos teus olhos verdes estelares pelo teu corpo líquido de bruma
pelo direito de seguir de mãos dadas na solidão nocturna
lutaremos meu Amor

Pela infância que fomos pelo jardim escondido que não teve
o nosso amor
pelo pão que nos recusam pela liberdade sem fronteiras
pelas manhãs de sol sem mácula de grades
lutaremos meu Amor

Pela dádiva mútua da nossa carne mártir
pela alegria em teu sorriso claro pelo teu sonho imaterial
pela cidade escravizada pela doçura de um beijo à despedida
lutaremos meu Amor

Pelos meninos tristes suburbanos
contra o peso da angústia contra o medo
contra a seta de fogo traiçoeira cravada
em nosso coração aberto
lutaremos meu Amor

Na aparência sózinhos multidão na verdade
lutaremos meu Amor"

Canção de um lutador esta música de Manuel Freire foi censurada durante a ditadura. Nem a consegues encontrar na internet. Eu luto, meu amor, amor agora e para sempre. Que se dane as conveniências e o preconceitos, a hipocrisia e o bom senso! Cantarei para ti como Luís Cília em Paris porque bem... ouve. http://www.youtube.com/watch?v=jrcE-9qhbs8 Que mais te dizer? Ele também lutou. E sabes que não conhecia nada disto? Surgiu tudo hoje porque lutei muito devagarinho e nem sabia muito bem por quem, que insanidade esta. Sei agora que seguia o trilho certo porque havia alguém no final do caminho! Sem pressas trabalhei e procurei por todo lado o que havia atrás dos sorrisos, das sombras, dos sonhos e hoje estamos aqui. Caramba, tudo faz sentido hoje, a vida que andava tão mansa. Ainda duvidas que da minha luta? Mas é preciso não magoar as pessoas, sim, elas são frágeis e precisam de orientação para que descobram a força que as move. Mas não deves vanglorizar-te da luta, ser humilde e amigo e aceitar as derrotas que são sempre vitórias. Desculpa se te exasperei com a minha diplomacia. Estou cansado mas se não disse te tudo o que vai aqui dentro é porque ainda há muito mais para dizer. Sempre mais.

Lipincot Surley disse...

Porque gente assim merece ser guardada*

F. D. P. Carvalho disse...

A palavra amor é sempre um engano perigoso para quem não acredita no amor. E estou convicto disto porque a minha barba diz-me que falo verdade. Quanto ao abismo, bem, esse, e segredo-te no escuro, é sempre uma ponte por isso nada temas. O grande engano é olhar a palavra como um fim acabado e esperar dela o que ela não espera de nós. Palavras para quê? Quando entre e por trás delas está um homem e uma mulher? Confesso-te que há mais serenidade nesta intensidade de emoções do que violência. O que não invalida alguns mal-entendidos quando me mostro demasiado entusiástico e me torno extremista, ou então a minha aparente indiferença quando simplesmente estou a dar o meu voto de confiança a alguém. Recuso-me a lutar por quem não merece e recuso-me a perder tempo com quem não compreende a minha luta.

Devo admitir que esse grande filme faz de ti uma grande pessoa que tem dificuldade em admitir que é grande. Esse cabelo tem quantas cores? Esperas muita coisa dos outros, imagino esse olhar tímido no metro. Os outros também esperam muito de ti, talvez seja por isso que tenhamos tanto medo do olhar dos outros. Mas não vou fazer psicanalise que isso é chato. Referires esse filme só vem provar que a vida é feita de ciclos e volta-se sempre ao começo de tudo para recomeçar, como se existisse qualquer coisa sempre inacabada, pelo menos na minha vida. Talvez seja isso que tenho de aprender. Pela primeira vez o choradinho do beck faz sentido em mim. Ainda não é desta que encontrei uma nódoa negra em ti e gostares desse filme faz-te muito especial. Será a tua curiosidade infinita? Felizmente és uma mulherzinha que pede tanto como dá. Mas prometo, prometo que continuarei a pentear-te as asas com as palavras mais doces que encontrar. E sabes o que também tenho nos bolsos do casaco? Mãos que agarram outras mãos em bolsos de casaco.

F. D. P. Carvalho disse...

Porque eu gosto de cumprir promessas e porque afinal eu gosto de ti. Vou falar-te um pouco do que este sábado me trouxe aos bolsos do casaco que hoje foram apenas bolsos de calças. Nestes só cabe uma mão de cada vez mas a proximidade com a pele compensa essa aparente desvantagem. O céu não acordou bem disposto por estes lados como se ele e o sol quisessem a toda a força um dia não, azar o deles que do sonho eles percebem muito pouco. O certo é que lá para o final da tarde o sol veio de propósito à minha janela pedir-me desculpas pelo mal entendio, que eu aceitei. E como prova da minha amizade li-lhe uns excertos de um livro pequenino e vermelho, falava de lutas e sonhos, muitos homens e verdades. Apesar deste alegre final, o começo do dia prometia-me cinzento em todos os minutos mas felizmente eu estava bem disposto logo pela manhã. É lamentável que não me lembre dos sonhos quando eles são precisos mas tive um há tempos onde aparecia um cão a dizer: “Diogo, quero canja.”. O mais bizarro dos últimos tempos. Adiante. A burocracia do almoço e um café impingido como chantangem pelo meu irmão do meio. Tenho que o felicitar pela corrupção porque sair de casa foi bonito. Já nas ruas da cidade eras tu que caminhavas nas pernas de uma mulher, pois eu coleciono estes acasos delirantes com a melhor das intenções e devemos aproveitar todos os momentos de sensação para rasgar a unidade do pensamento. A explicação para o acontecimento é simples, nunca tinha visto aquela rapariga na minha vida e todo o comportamento indicava que ela estava perdida, contudo mantinha-se calma apesar do trajecto claramente erroneo que seguia. Também calçava umas all-stars roxas que no cinzento do dia iluminaram a minha atenção. A soma dessa estranheza levou-me irremediavelmente todo o pensamento em tua direcção o que me confortou e acelerou o coração, e talvez tenha sido essa adrenalina que me levou a requesitar gratuitamente um caderno numa loja de material de arte. Finalmente na esplanada do café decidi quebrar o meu hábito de contemplação passiva do que me rodeava e fui sentar-me no extremo oposto da praça, que me obrigou a subir umas escadas, onde ainda ontem dois adolescentes declararam o seu amor. Na verdade as únicas pessoas que alguma vez vi sentadas nesse lugar. Procurava por qualquer coisa diferente, a chamada inspiração. E não é que nesse triste céu cinzento surgiram dois balões solitários? Um azul e outro cor-de-rosa. Insólito e inédito. Não pude evitar sorrir ao ver os balões. Resumindo o dia foi bom e o poema não foi mau de todo. Espero que o teu tenha sido daqueles que no final se adormece sem dar por isso, se não foi desses pensa que houve alguém que pensou em ti.

annie disse...

temos que guardar as pessoas que nos são próximas, não podemos deixar que as levem de nós.

F. D. P. Carvalho disse...

Penso que o Saramago não ia ficar muito contente com essa comparação. Não conheço a obra dele mas do que sei da vida dele diz-me que não nos daríamos bem. Demasiado escorregadio, amargo e fugitivo para o meu gosto. Mas a história é mais nossa do que dele, ai este aperto de te descobir sempre receptiva ao que me move. Uma ligação telepática sistemático-paranóica insessante e constante. Se falamos tão perto será que ouvimos a nossa voz? Uma afinação secreta que nos leva a ouvirmo-nos nos mais variados aspectos da nossa vida (in)comum. Mas os nomes são um bocadito ingratos não são? Moldam-nos a vida de uma forma inaudita e irresponsável e ainda exigem vassalagem. Ainda assim conseguem ser deliciosamente inesperados. A surpresa que tive ao encontrar o meu nome numa personagem de manara fez-me o dia. E apesar de não adorar o meu tenho que confessar que me assenta que nem uma luva. Quanto ao teu espero que também te seja fiel porque ele atraí-me irresistivelmente e se te chamasses patrícia ou susana provavelmente não estariamos aqui. Nada é mais forte que um bom nome e nem todos os nomes do mundo juntos podem derrubar a força do teu. Orgulha-te dele, é lindo e grande.

annie disse...

sinto o mesmo, por vezes. mas quem tem de ficar, fica. mesmo que tenha de ir por algum tempo.