sábado, 21 de novembro de 2015

248.




Dirás que conheceste as terras,
os segredos irreversíveis do corpo,
a neblina da manhã.

Dirás que com as tuas mãos de homem cansado
ergueste montanhas, cidades e o nome de quem
 julgaste intocável
e por isso com tanta fé alimentaste a posteridade.

Dirás ainda que aprendeste
 palavras de fogo e de mel,
que algumas delas extraíram da memória
 o néctar impotente do amor,
 o cadafalso magoado de um olhar em extinção.

Mas no fim será silêncio,
apenas um árduo silêncio o que a tua boca
cinzelará

e apenas silêncio o que restará dos
 dias em que foste
                              sem que suspeitasses
 feliz.

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